segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Para a boa forma, dormir pode ser mais eficaz do que malhar


  (Foto: Foto: Reprodução/Patrick Demarchelier)

Foi dormir depois da meia-noite e vai ter de acordar às 6 hs para correr? Se o objetivo for a boa forma, especialistas dizem que o melhor é ficar na cama, como você lê na matéria Melhor do que malhar, da edição de dezembro da Vogue Brasil. Entenda os mecanismos do corpo que justificam a escolha, na sequência.
 

Todos os dias, quando o sol se põe, os níveis de melatonina, neurotransmissor que dispara o sono, começam a aumentar, enquanto a concentração de cortisol, hormônio associado ao estado de alerta e ao estresse, cai paulatinamente. A liberação de serotonina, outro neurotransmissor que regula, além do sono, o apetite e o ritmo circadiano (mecanismo que ajusta o relógio biológico), também diminui, preparando o corpo para o repouso restaurador. O que nem todo mundo sabe, no entanto, é que além de reparador, o tempo que passamos dormindo tem enorme influência no ponteiro da balança. O organismo recupera tecidos e sintetiza vários hormônios durante as oito horas de sono (recomendação média para um adulto). A atividade é tão intensa nesse período que o corpo usa a maior parte das calorias que ingerimos durante o dia na chamada taxa metabólica de repouso, responsável por cerca de 70% de nosso gasto calórico.
 

"Diversas pesquisas indicam que quem dorme menos de cinco horas, a longo prazo, ganha um sobrepeso de 36% em comparação com quem dorme duas ou três horas a mais", afirma Eduardo Nunes Salles, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. De acordo com Luciana Palombini, especialista no assunto pelo Instituto do Sono da Unifesp, isso acontece porque dormir menos aumenta os níveis de grelina e diminui os de leptina, e a consequência é maior apetite. A leptina é um hormônio que estimula o gasto calórico, atuando no metabolismo da glicose e promovendo sensação de saciedade. Já a grenalina estimula o apetite.
  (Foto: Reprodução/Vogue Paris)
Há dois anos, uma pesquisa realizada pelo Women's Hospital, em Boston, comprovou que dormir pouco também pode desregular o metabolismo da glicose. No estudo, os participantes que dormiram apenas cinco a seis horas por noite, por uma semana, desenvolveram resistência à insulina, o que resultou em maior quantidade de glicose no sangue, em níveis próximos ao dos diabéticos. E não é só: "Dormir pouco eleva a concentração de cortisol, que estimula o acúmulo de gordura, especialmente a abdominal, podendo levar à obesidade", alerta Luciana. É por essas e outras que especialistas defendem que, às vezes, é melhor dormir algumas horas a mais que madrugar para malhar, já que os benefícios do exercício não vão compensar esse desequilíbrio hormonal.
 

Se o seu problema é pegar no sono, a alimentação certa pode ajudar – e, aqui, carboidratos não são vilões: grãos, mandioca, batata e cevada contêm triptofano, um percursos da serotonina que ajuda a embalar a noite. "Evite comer em excesso, especialmente gordura", ensina Heloisa Guarita, nutricionista e mestre em psicobiologia no Instituto do Sono da Unifesp. E pare de achar que um copo de vinho vai ajudar a dormir mais rápido: "Apesar da moleza que causa, o álcool vai interferir na qualidade do sono depois". Novos estudos apontam que a temperatura também tem papel importante no processo – o ideal é que o quarto esteja entre 15,5° e 20°. E não se esqueça do poder relaxante de terapias como acupuntura, meditação e massagem. (FLAVIA GALEMBECK)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Contra obesidade, EUA aprovam uso de 'marca-passo' para o estômago




A FDA, agência responsável pelo controle de produtos de saúde e drogas nos Estados Unidos, aprovou a comercialização de um aparelho de combate à obesidade que tem funcionamento parecido ao de um marca-passo, mas para o estômago.

Chamado de Maestro Rechargeable System, o aparelho é implantado cirurgicamente sob a pele do abdômen, com anexos fixados onde o esôfago se encontra com o estômago. Dali, ele causa interferências no nervo que controla o coração e a função digestiva.

A ideia é fazer com que diminuam os impulsos de fome que a pessoa sente mesmo após ter recebido a quantidade de alimento necessária, fazendo com que o paciente perca peso. Mas nem a FDA tem certeza se a tecnologia de fato funciona.

No documento de aprovação, divulgado pela NBC, a agência ressalta conhecer a teoria por trás do aparelho, mas que os mecanismos específicos que levariam a perda de peso devido ao uso da tecnologia são desconhecidos.

Foi o primeiro produto de combate à obesidade aprovado pela FDA em sete anos, e nos EUA este é um problema de saúde bem sério. Em testes, o aparelho reduziu apenas 8,5% do excesso de peso em um ano se comparado a pessoas que faziam tratamento com placebo e a agência quer que cheguem a pelo menos 10%.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tamanho do pênis pode levar a obsessão por musculação, afirma estudo


Cientista aponta que pênis pequeno leva a excessos na academia
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Psicologia da Universidade Victória, de Melbourne, na Austrália, aponta que os homens se preocupam mais com a opinião de outros homens sobre a imagem de seus corpos, o peso ou o tamanho do pênis em relação ao que acha a parceira sexual.
Isso levaria os não tão dotados a trabalharem mais no ganho de massa muscular e na perda de gordura corporal para compensar as ‘perdas’.

Para chegar a conclusão, a cientista Annabel Chan Feng Yi entrevistou 738 homens pela internet, com idades entre 18 e 76 anos.
A pesquisa aponta que a preocupação dos entrevistados, principalmente com o tamanho do pênis, deixava a maioria insegura em ambientes onde outros homens poderiam vê-los frequentemente sem roupas, como vestiários de academia. O fenômeno é chamado pela especialista de “síndrome do vestiário”.
“A preocupação dos homens com o tamanho pouco tem a ver com o desempenho sexual. Na verdade, tem muito mais a ver com competição entre outros homens. A maioria sente insegurança em lugares que outros homens possam ver seu pênis, como em vestiários, mas se sentem seguros na cama”, resumiu a doutora Chan.
E ai, você é da turma dos caras de boa ou tem obsessão por academia?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Relatos de exagero no culto ao corpo expõem risco de anabolizantes e dietas


Thiago Barbosa diz que chegou a tomar composto de anabolizantes usados em cavalos

Não basta eliminar aquela barriga de chope, fazer a sobrancelha, cortar barba e cabelo com estilo ou usar roupas elegantes. A imagem que muitos homens buscam para si mesmos precisa ter um corpo definido, cheio de músculos. E o problema para alguns é o risco a que eles se submetem para alcançar o que consideram um ideal de beleza.
Ao longo dos últimos dias, o UOL recebeu relatos de internautas sobre os limites da obsessão por um corpo perfeito. Entre as mensagens recebidas, uma parcela significativa foi enviada por homens, e muitos chamaram a atenção para os danos causados pelo uso de anabolizantes e por dietas e remédios encarados como um atalho para perder gordura.
"Cinco anos atrás, eu usava anabolizantes para que, ao treinar, tivesse um efeito legal. Fiquei viciado. Cheguei a usar um composto para cavalo", contou o assistente de negócios Thiago Barbosa, do Rio. "Usei muitos compostos proibidos. Porém, para quem usa muito, o resultado é desastroso no futuro."
"Um dia, tomei creatina em pó, e aí meus rins começaram a ter problemas. Tive excesso de cálculos renais, várias crises e duas cirurgias", acrescentou. "Atualmente, sofro ainda com dores, terei que operar novamente em 2015."
Além das consequências para a saúde, Thiago também teve de lidar com outros efeitos colaterais causados pelo uso de substâncias proibidas. No caso dele, a busca por mais músculos teve um resultado contrário do que ele esperava.
"A textura da minha pele não é mais a mesma. Com tanta toxina desses remédios, tive um aumento das crises de dermatite. Engordei, ganhei celulite e estrias, ou seja, tudo errado para um corpo perfeito", diz o morador de Bangu. "Tenho 26 anos e nunca mais utilizarei esses produtos."

Transtorno, vício e saúde

Muitas vezes, a insatisfação com o próprio corpo pode ser resultado de um outro problema, que também exige acompanhamento médico. Trata-se do transtorno dismórfico corporal, ou dismorfofobia, que ocorre quando uma pessoa tem uma preocupação obsessiva com um defeito pequeno, ou que sequer existe, em sua aparência física.
"Em geral, são as mulheres que têm mais este tipo de problema. Mas, mais recentemente, ele também tem aumentado entre os homens", afirma a psiquiatra Ana Gabriela Hounie. "Com a popularização do fisiculturismo e do uso de anabolizantes, até criaram um termo novo, que é a vigorexia, quando o cara é todo fortão, saradão, mas se olha no espelho e se acha esquálido."
A psiquiatra afirma que também há casos de pessoas viciadas em atividade física e, nessas situações, o que o determina o limite entre um hábito saudável e um problema de saúde é a sensação de prazer ou sofrimento que os exercícios proporcionam.
"O exercício físico pode viciar porque a liberação de adrenalina e endorfina é prazerosa", diz a médica. "O problema é quando isso foge do normal, e a pessoa prefere fazer exercícios em vez de sair para namorar ou ir ao cinema, por exemplo. Ela limita toda a outra parte da vida dela porque o exercício físico toma um lugar preponderante."
Arquivo pessoal
Vinicius Heltai diz que perdeu 45 kg sem usar nenhum remédio
Para o engenheiro Vinicius Heltai, 29, de São Paulo, a busca por um corpo saudável teve um final feliz.  Mas, antes, ele também sofreu com tentativas frustradas de eliminar gordura por meio de dietas e remédios que, segundo o paulista, "prometiam de tudo".
"Eu passava mal, perdia peso e ganhava rapidamente tudo de novo. Fui descobrir que somos o que comemos e como vivemos de um tempo pra cá", disse Vinicius, em relato enviado ao UOL pelo Whatsapp (11) 97500-1925. "Mudei meu ritmo de vida, perdi 45 kg com redução alimentar e sem remédio."
"Os remédios me traziam insônia, agitação, irritação e eu suava muito. Com as dietas, eu tinha fraqueza, perdia três, quatro quilos e não conseguia manter por mais de duas semanas. Voltava tudo", acrescenta o engenheiro. "Percebi que pequenas coisas faziam toda diferença."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Publicitário emagrece 35 kg após falência, divórcio e furto de carro



Wallace Pires se tornou triatleta e até ganhou provas em sua categoria.

Vendedor e publicitário superou depressão que o fez chegar a 115 kg.


Wallace emagreceu 35 kg após superar depressão, em Santos (Foto: Arquivo pessoal)Wallace emagreceu 35 kg após superar depressão em Santos (Foto: Wallace Pires/Arquivo Pessoal)
Um vendedor e publicitário de Santos, no litoral de São Paulo, emagreceu 35 kg após superar uma depressão por ter seu carro furtado e seu negócio ir à falência. Wallace Pires conta que chegou a pesar 115 kg. Com a ausência de um automóvel para iniciar no novo emprego em São Caetano do Sul, no ABC paulista, ele se sentiu motivado a procurar uma academia e a caminhar todos os dias para ir ao trabalho.

Pires lembra que, antes de abrir sua própria empresa, tinha um emprego estável em uma multinacional até o ano de 2010 e jamais imaginava que uma nova empreitada mudaria sua vida de forma negativa. “Eu tinha uma situação financeira ótima. Senti bastante quando minha firma faliu. Pior foi ver amigos se afastando de mim e a minha esposa pedir o divórcio. Entrei em depressão, ganhei peso. Ensaiei até mesmo morar na rua de tão devastado que fiquei”, conta.

Wallace, de Santos, superou obesidade e passou a competir no Ironman (Foto: Arquivo pessoal)
Wallace, de Santos, superou obesidade e passou a
competir no Ironman (Foto: Arquivo pessoal)
Depois de alguns meses, Pires conseguiu um emprego em São Caetano do Sul, após uma indicação de seu padrinho de casamento. Um dia antes de começar a trabalhar em uma nova cidade, Wallace decidiu ir à missa para rezar e agradecer a oportunidade conquistada. Após sair da igreja, se deparou com uma surpresa nada agradável: seu carro não estava mais estacionado próximo ao local. “Foi um desespero. Achei que nada mais ia dar certo. Hoje, eu gostaria de encontrar o ladrão do meu carro e agradecê-lo. Se não fosse pelo furto, não teria melhorado meu físico e minha qualidade de vida”, diz.

O trajeto de ida e volta ao trabalho era de exatos 8 km de caminhada. O publicitário lembrou que tinha uma bicicleta em casa e, assim, passou a utilizá-la para cumprir o percurso. Quando conseguiu conciliar o emprego com a academia, decidiu realizar um sonho de infância: participar de uma prova de triatlo. Sua estreia em uma competição na modalidade foi no Troféu Brasil de Triathlon, em Santos, com o percurso de 750 m de natação, 20 km de bicicleta e 5 km de corrida. Por conseguir completar a prova , a motivação de Wallace cresceu ainda mais.

Medalhas conquistadas por Wallace por participações no triatlo, em Santos (Foto: Arquivo pessoal)
Medalhas conquistadas por Wallace por participar
no triatlo, em Santos (Foto: Arquivo pessoal)
Desde então, sua rotina incluía natação às 7h. Após às 8h, se locomovia para trabalhar e, depois, intensificava seus treinos em aulas de spinning (bicicleta) e corrida na esteira da academia onde se matriculou. Nos fins de semana, aproveitava para fazer treinos de longa duração. Começou a pedalar 100 km aos sábados e corria, em média, 15 km aos domingos. “Treinar não era mais um problema, passou a ser prazeroso. Emagrecer foi consequência”, explica o vendedor que, em oito meses, emagreceu 18 kg.

Em 2012, fez sua primeira preparação para uma prova do Ironman, uma das mais importantes competições da modalidade e, em 2013, participou da competição pela primeira vez. Chegou a vencer provas de triatlo. Hoje com 80 kg, Wallace dá uma dica para quem deseja ficar mais determinado a emagrecer. "O esporte é a válvula de escape para uma pessoa e faz você socializar melhor. E quando passamos a praticar alguma modalidade, fica mais fácil também para controlar a alimentação. Tudo flui naturalmente", completa.