segunda-feira, 28 de julho de 2014

Estudo sobre dificuldade em manter o peso




Em 17 de julho foi publicado um estudo que pode explicar a dificuldade de manter o peso baixo depois de dietas. Este estudo foi realizado com mulheres obesas e suspeita que existe um déficit na aprendizagem baseada em recompensa. Esse déficit só ocorreria quando o alimento está envolvido. Os pesquisadores relataram suas descobertas na Cell Press, revista Current Biology, e deixaram claro que essas mesmas mulheres não têm problemas em todas as associações precisas que formam quando a recompensa é o dinheiro, por exemplo, em vez de alimentos. As descobertas podem levar a novas maneiras apropriadas de gênero para combater a epidemia de obesidade.


"Nosso estudo mostra que a obesidade pode envolver uma alteração específica não no processamento de alimentos em si, mas sim na forma como os indivíduos obesos, ou pelo menos mulheres obesas aprendem sobre pistas alimentares no ambiente", diz Levy Ifat, da Universidade de Yale. "Esta não é uma deficiência de aprendizagem em geral, [de aprendizagem] pois quando a recompensa foi o dinheiro, em vez de alimentos não houve nenhum déficit. Uma possibilidade intrigante é que, ao modificar associações, falhas entre alimentos e estímulos ambientais, há a capacidade de mudar padrões na alimentação ".


Embora ainda não esteja claro o que está por trás do déficit de aprendizado, os pesquisadores dizem que pode ser desencadeado por preocupações sobre alimentos que são sentidas por pessoas obesas, e talvez especialmente mulheres, que são conhecidas por se sentir com maior insatisfação com sua imagem corporal. Será interessante em estudos futuros a considerar o que vem primeiro-o comprometimento de aprendizagem ou o peso, testando os indivíduos, antes e depois das intervenções de perda de peso, incluindo a cirurgia bariátrica.




Current Biology, Zhang et al:. ". Aprendizagem associativa prejudicada com recompensas alimentares em mulheres obesas"

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Identifique sinais de que o celular está atrapalhando a sua vida


  • Getty Images
    Se o uso do celular está atrapalhando outros aspectos da sua vida, fique alerta
    Se o uso do celular está atrapalhando outros aspectos da sua vida, fique alerta
Quantas vezes por dia você checa o seu celular? Em todos os lugares, é possível ver pessoas que não largam o aparelho para nada, nem para comer ou assistir a um filme no cinema. Há poucos anos, a primeira coisa que se costumava fazer pela manhã era escovar os dentes ou lavar o rosto. Agora, o mais comum é verificar as notificações do smartphone antes mesmo de sair da cama.


Uma pesquisa, realizada no ano passado pelo aplicativo Locket, que paga aos usuários nos Estados Unidos para exibir publicidade na tela de abertura do celular, revelou que, em média, as pessoas checam o aparelho 110 vezes por dia. Outra estatística, apresentada pela Nokia em 2010, apontava para 150 checagens diárias.
Esse hábito de não desgrudar do celular pode ser considerado uma forma de dependência. Entretanto, o problema ainda não é classificado como uma doença catalogada entre os transtornos mentais. Nem por isso deixa de trazer consequências para os usuários mais inveterados.


"A pessoa perde a capacidade de concentração, não consegue estar inteira e atenta ao momento porque fica pensando no que será que está acontecendo", diz Dora Sampaio Góes, psicóloga do Grupo de Dependências Tecnológicas, ligado ao Instituto de Psiquiatria do HC (Hospital das Clínicas) da USP (Universidade de São Paulo).


Dora observa que ainda não se sabe quais serão os efeitos dessa dependência em médio e longo prazo, porém chama a atenção para a dificuldade que algumas pessoas já apresentam em se aprofundar nos assuntos ou ler um livro.

Apesar de muitos acreditarem que a utilização excessiva do celular desencadeia ansiedade nos usuários, a psicóloga explica que o processo é inverso. "Essas pessoas já têm propensão à ansiedade. Não é a tecnologia em si que traz problemas para a gente, ela apenas revela", afirma.



Tratamento



Apesar de impactar na maneira como vivemos e nos relacionamos nos dias de hoje, o psiquiatra Aderbal Vieira Junior, responsável pelo setor de tratamento de dependências de comportamentos do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acredita que o uso excessivo de celular não acarreta transtornos graves.
"É uma forma de dependência leve, mas mesmo que seja caracterizada como tal, dificilmente a pessoa busca tratamento", esclarece.
Contudo, o psiquiatra percebe consequências negativas desse comportamento, que considera mais como um abuso da tecnologia do que uma dependência propriamente dita. "Tem um grau de empobrecimento existencial. As pessoas estão se relacionando menos porque estão muito concentradas no mundo virtual", diz.


A psicóloga norte-americana Kimberly Young, responsável pelo primeiro programa de reabilitação com internação para dependentes de internet dos Estados Unidos, concorda que o problema ainda não requer tratamento médico. "Penso que nós damos mais atenção aos nossos aparelhos móveis do que deveríamos, mas não é caso para tratarmos clinicamente".


Kimberly conta que a reabilitação para os dependentes tecnológicos começou no ano passado por causa do aumento da procura de pacientes por tratamento com internação. "Funciona da mesma forma que uma reabilitação para dependentes de drogas", explica. O programa recebe pessoas adictas à pornografia, compras online, jogos e redes sociais.


Para saber se o uso do celular está indo além do limite, a psicóloga Dora Sampaio afirma que é preciso analisar se o comportamento interfere nas atividades cotidianas e traz prejuízos para a vida do indivíduo. "Um dos sinais é quando a pessoa tenta diminuir o uso, mas não consegue", alerta.

Falta de interação

Arquivo pessoal
Daniel Oshiro, 27, que não fica mais do que 30 minutos sem checar o celular
A reclamação mais comum nos dias de hoje é que as pessoas não interagem porque ficam o tempo todo no celular. O desenvolvedor web Daniel Oshiro, 27, morador de São Paulo, um usuário intensivo de smartphone (ou "hard user", como ele mesmo se define), não acredita que a culpa seja do aparelho.


"Alguns amigos não gostam, dizem que não participo muito. Mas sou bastante introvertido, então, com celular ou sem, não acho que vou me comunicar mais com eles", diz.


Daniel chega a carregar a bateria do celular três vezes no mesmo dia e dificilmente fica mais do que 30 minutos sem checar o aparelho, com exceção da noite, em que programa seu smartphone para não tocar nem vibrar das 23h às 6h.


O desenvolvedor não concorda com quem o critica, dizendo que ele perde detalhes da vida. "O que as pessoas não entendem é que normalmente não estou 100% imerso no celular. Como usei o aparelho boa parte da minha vida, consigo olhar coisas no telefone e participar da conversa", defende-se. Mas confessa que às vezes vai para o smartphone porque o tema da discussão não o atrai. "Se o assunto na mesa está interessante, não mexo no celular", revela.


Pegar o smartphone para fugir da conversa ou da reunião chata, procurar a última piadinha ou olhar quem comentou o post na rede social são maneiras instantâneas de perseguir o prazer. "Todos temos essa tendência. É uma característica do ser humano buscar o prazer mais imediato, rápido e menos trabalhoso possível", diz o psiquiatra Aderbal Vieira Junior.


Três sinais que indicam dependência
  • Falta de controle 

    O indivíduo tem a sensação de que não tem escolha, que é compelido a fazer aquilo. No caso do celular, não consegue deixar de checar o aparelho a todo instante, às vezes até durante a noite, atrapalhando o sono.
  • Prejuízos para a vida 

    Só existe dependência quando o comportamento traz prejuízos ou problemas importantes, como colocar emprego, relacionamento, convívio social e familiar ou vida acadêmica em risco. A pessoa negligencia tarefas e perde qualidade de vida.
  • Universo restrito 

    A dependência leva a um comportamento empobrecedor e limitante. O universo vai ficando cada vez mais restrito. Isto é, nada mais interessa além daquele comportamento ou do objeto de sua dependência.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Garantia de acesso ao tratamento da obesidade



Por que qualquer portador de doença crônica têm direito ao tratamento completo da doença e este mesmo direito é negado ao paciente obeso?

Obesidade é doença crônica. "Medicamentos e podem e devem ser agregados ao tratamento quando a intervenção de mudança de hábitos alimentares e prática de atividades físicas não gerarem resultado", destaca o presidente da ABESO, o endocrinologista Mario Carra. A cirurgia bariátrica é o último recurso

A proposta do PDS 52/2014 é justamente anular a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir a comercialização de inibidores de apetite (resolução 52/2011). O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, e é de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), em abril. E na última quarta-feira (16) foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Em seu parecer favorável à matéria, a relatora do projeto, senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO), expôs que a obesidade é um importante fator de risco para o diabetes e para graves afecções cardiovasculares, tais como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Segundo o Ministério da Saúde, essas doenças são as principais causadoras dos óbitos no Brasil. "Por isso, tratar a obesidade corresponde a reduzir a mortalidade do povo brasileiro", concluiu a relatora. Para ela, a aprovação do PDS 52/2014 é um importante passo para aprovação em plenário e para que o paciente volte a ter o seu direito ao tratamento garantido. O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) também apoiou e ajudou a aprovar o PDS, que agora seguirá para o Plenário.


Em discussão anterior na CCJ, o senador Alvaro Dias apresentou argumentos da comunidade científica, que no Paraná e em outros estados do País, entende que a proibição da Anvisa aos inibidores de apetite não pode prejudicar o tratamento dos que têm obesidade mórbida. Na sua argumentação, o senador Alvaro Dias apresentou relatos da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), que defende que a Anvisa errou ao publicar uma resolução generalizando, com o intuito de evitar os abusos, mas sem ouvir os médicos. Ele destacou a opinião da Abeso de que os inibidores de apetite são as únicas opções de pessoas que não podem esperar, por exemplo, por uma cirurgia bariátrica. Alvaro Dias afirmou que, se não são ideais, os medicamentos são o que há de melhor em terapia farmacológica para tratamento da obesidade.

“É importante que o Plenário do Senado confirme a decisão tomada pela Comissão de Constituição e Justiça e aprove este projeto que derruba a resolução da Anvisa e garante que a prescrição dos inibidores seja feita com responsabilidade e vigilância, com acompanhamento do paciente durante todo o tratamento”, defendeu o senador Alvaro Dias ao final da votação na CCJ.

 A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) lembra que, em 2011, a Anvisa tomou a decisão de suspender a produção e comercialização de medicamentos anti-obesidade no país de forma arbitrária. "Não ouviu os especialistas durante a discussão sobre os anorexígenos, tomando uma decisão baseada não na ciência, mas, sim, no preconceito", destaca a diretora da Abeso, a endocrinologista Cintia Cercato. 

Riscos - Obesidade é reconhecida como doença crônica. Não é uma questão de falta de força de vontade. Ao não considerar a obesidade como doença, a Agência desvaloriza milhares de pesquisas que desvendam a fisiopatologia da doença, defendendo o não acesso ao tratamento. 

A agência Estado destacou um levantamento realizado este ano pelo Estadão Dados, com base em informações do Datasus, segundo o qual o número de brasileiros mortos por complicações diretamente relacionadas à obesidade triplicou em um período de dez anos, no país. A reportagem diz que o aumento também foi significativo quando considerada a taxa de mortos por 1 milhão de habitantes. "No mesmo período de dez anos, a taxa dobrou. Foi de 5,4 para 11,9, segundo dados do Ministério da Saúde."

Os dados levam em consideração as mortes nas quais a obesidade aparece como uma das causas no atestado de óbito. 
"As causas mais comuns de morte relacionadas à obesidade são as doenças cardiovasculares, como o enfarte e o acidente vascular cerebral (AVC). Sabemos, porém, que ela também está relacionada a muitos outros problemas, como apneia do sono, insuficiência renal e vários tipos de câncer", afirma o endocrinologista Mario Carra,presidente da Abeso.

Prevenção -  A Abeso também lembra que remédios são para tratar o que já sofrem de obesidade e não para prevenir, e que a aprovação não exclui a necessidade de campanhas e ações de prevenção.  "Prevenção da obesidade se faz com educação em massa, com informação, com educação continuada, ações que deveriam ser consideradas pelo governo como prioridade", completa o presidente da Abeso, Mário Carra.

Competências -  Obesidade é uma doença crônica. Quem sofre de obesidade deve manter o tratamento durante a vida inteira, como quem tem diabetes, hipertensão arterial, ou qualquer outra doença crônica. Segundo Mario Carra, presidente da Abeso, medicamentos e outras terapias devem ser agregados ao tratamento quando a intervenção de mudança de hábitos alimentares e prática de atividades físicas não gerarem resultado. A cirurgia é o último recurso.

A Abeso defende o acesso ao tratamento, que, inclui, entre outras medidas (como atendimento multidisciplinar), o acesso a medicamentos, com prescrição médica, controle e acompanhamento profissional. "A prescrição deve ser feita com responsabilidade e vigilância, com acompanhamento do paciente ao longo do tratamento", enfatiza Carra.
 O projeto de decreto legislativo, diferentemente dos outros projetos do Senado Federal e da Câmara, não necessita de sanção presidencial. Se aprovado nas duas Casas, o projeto é promulgado em sessão do Congresso Nacional.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Exagerar na bebida alcoólica aumenta vontade de comer alimentos calóricos



Uma das principais recomendações para quem quer emagrecer é eliminar o consumo de bebidas alcoólicas, já que o álcool engorda e é considerado uma caloria vazia, por não trazer nenhum benefício para o corpo. Mas um estudo encomendado pela organização inglesa Slimming World revelou que uma noite de bebedeira também interfere na escolha de um cardápio rico em alimentos gordurosos e calóricos no dia seguinte.
Pelas contas dos pesquisadores, as calorias extras ingeridas no dia seguinte, bem como a falta de disposição para praticar qualquer atividade física, podem acrescentar 900 gramas a mais por semana na balança.
De acordo com Pedro Assed, pesquisador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Gota) da PUC-Rio, o aumento do consumo de calorias extras é inevitável, pois o corpo está desidratado e é comum alguns sintomas como náuseas, dores de cabeça e fome.
Os responsáveis pelo estudo, realizado com 2.042 pessoas, estimam que beber em excesso uma vez por semana pode somar mais de 10 quilos na balança em um ano."Nessas situações de estresse pós-alcoólico, nosso cérebro recebe sinais neuronais complexos que são mediados por vários neurotransmissores e indicam a necessidade de aumentar a sede e a fome para contrabalancear a perda de sais minerais e nutrientes na bebedeira da noite anterior", explica Assed.
O consumo extra de 6.300 calorias nas 24 horas após a bebedeira é dividido. Durante a noite, só em comida, os participantes do estudo consumiram, em média, 2.829 calorias extras e mais 1.476 calorias em bebidas. Na manhã do dia seguinte, mais comidas calóricas no cardápio, 2.051 calorias extras consumidas.
Das 2.042 pessoas acompanhadas na pesquisa, 50% disseram que a bebida alcoólica tinha impacto na sua escolha alimentar e que costumam cancelar as atividades físicas no dia seguinte, optando por ficar em casa vendo TV e usando as mídias sociais.
Assed explica que isso acontece, pois no dia seguinte da bebedeira o organismo ainda sofre com os efeitos do álcool. "O uso abusivo dessas bebidas causa reflexos nos mais diferentes órgãos, causando sonolência, letargia, tonteira, boca seca, fraqueza, indisposição e náuseas, o que dificulta a prática de atividade física", explica.
De acordo com o pesquisador, quem não quer sofrer com os sintomas de ter exagerado na bebida deve se hidratar com no mínimo dois litros de líquidos (isotônicos, água de coco, água comum sem gás, sucos mais leves como o de limão), associados com uma alimentação com pouco carboidrato e mais proteína e saladas.
A má notícia para quem é fã de uma cervejinha é que, segundo Assed, não há uma quantidade de bebida alcoólica que seja "recomendável" do ponto de vista da saúde. "Para quem realmente não quer abrir mão, o melhor termômetro é o bom senso", recomenda.